Artistas › Albino Infantozzi
Comecei a tocar em 1966, aos 12 anos, ouvindo Beatles, Jimmy Hendrix e Led Zeppelin.
Tocando em domingueiras, me relacionava com músicos mais velhos, que me indicaram para minha primeira gravação, que foi em 1971, com Ronnie Von. Gravei a música Cavaleiro de Aruanda, que foi um hit nacional.
Em 1978, após me formar em Arquitetura e Economia, fui tocar na noite com o baixista Nico Assumpção, no Bar Penicilina. Até então, não vivia profissionalmente da música.
Em 1979 fui convidado pelo meu amigo Celso Pixinga para excursionar com o cantor Jessé , que havia ganho o festival da Globo. Junto com o maestro Eduardo Assad, comecei a gravar esporadicamente. Toquei com Fabio Jr, Raul Seixas, Fafá de Belém,e participei de todos os festivais da Globo, sempre me classificando entre os 3 primeiros.
Atualmente, quais são os equipamentos Roland que fazem parte do seu setup e por que você optou por estes modelos, exatamente?
No início dos anos 80, adquiri minha primeira bateria eletrônica, e passei a usá-la em gravações. Logo adicionei no equipamento um interface-midi , o Octapad da Roland. Nessa época, juntava ao kit acústico esses elementos. Com o advento dos cérebros eletrônicos, possibilitando a programação da bateria , alterou-se drasticamente o cenário de gravação para os bateristas. A partir daí, o meu foco voltou-se para esse tipo de equipamento, me levando a adquirir uma bateria programável R-8, da Roland. Essa bateria foi um divisor de águas no mercado brasileiro de gravação. Lembro que através da saída estéreo, tinha-se a melhor sensação acústica da bateria e dificilmente alcançada quando fazíamos a captação pelas saídas individuais de cada peça. Usávamos nessa época, acredito que por volta de 1988, pratos e hi-hat acústicos, junto com os pads, e cérebro da R-8. No decorrer desses anos, fui experimentando vários cérebros, cada qual com suas características e pads próprios, e ao passar quase que duas décadas, a Roland surpreendeu a comunidade baterística com a bateria TD-20.
Atualmente, qual (quais) é (são) o(s) equipamento(s) Roland que faz(e)m parte do seu setup e por que você optou por este(s) modelo(s), exatamente?
Através do Gino, em 2005, fui conhecê-la em Cotia no show room Roland. Fiquei em estado de “choque”,. Eram tantas possibilidades sonoras, tais como: sensibilidade em pratos e hi-hat, coisas que até então, nunca tinha ouvido nesse nível, o que me levou a adquirir , e consequentemente, a ter uma nova motivação na minha vida. Primeiramente, instrumento novo implica em recomeçar, ou melhor, renovar-se. Minha atitude foi repassar os conceitos adquiridos na minha vivência com estúdios e shows, e confronta-los com essa nova tecnologia. Desse aprendizado, consegui melhorar meu relacionamento com os técnicos de som.
Tive uma grata surpresa ao sentir no modelo TD-20K, o resultado da saída stéreo. Só então, entendi a insistência para que eu levasse esse kit, pois o nível de exigência nos grandes estúdios, só esse modelo possibilita com rapidez o maior número de opções e soluções na elaboração do conceito do que vai ser gravado. Em home estúdios, onde a acústica e tecnologia são limitados, a opção desse instrumento acabou com esse desconforto. Fácil de montar e transportar, me possibilitou estudar ao ar livre, como também melhorar minha performance em dinâmicas mais sutis. Na rotina de estudo do instrumento, surgiram novas estratégias, tornando mais prazeroso o trabalho com a técnica e a coordenação. Ao alocar nos pads notas musicais, permitiu-me fazer melodias, me levando a outra percepção do instrumento.
Na sua opinião, qual o diferencial que estes produtos deram ao seu som?
Nas apresentações ao vivo, em locais onde a acústica é precária , e a necessidade de se tocar com baixo volume é crítica , a TD-20K chamou a atenção de todos os músicos que se sentiram realmente confortáveis ao som emitido, não pedindo para tirar do monitor ou do fone, como de costume. O mais legal é não ter de apelar para vassourinhas e poder tocar pra valer, descendo a mão, contribuindo com uma atitude para cima, sem induzir outros músicos a subir o próprio volume, tornando assim, o som mais agradável aos ouvintes. Acho a solução ideal para barzinhos, ou mesmo cultos em igrejas onde a reverberação é crítica. Segundo a minha visão, a era digital possibilitou uma democratização da criatividade musical, aumentando o número de estúdios e consequentemente as possibilidades em gravação
Como você viveu diversas épocas músicas e ainda assim está sempre se atualizando com equipamentos e estilos musicais, diga o que você pensa do movimento musical atual, assim como do desenvolvimento dos instrumentos e dos músicos no modo técnico, cultural e comportamental?
Temos mais músicos, mais produtores, e o mercado independente em constante crescimento. Acho importante ter uma assinatura sonora no mundo dos estúdios. Para isso, adquirir tecnologia sempre contribui para estabelecer diferenças e sair sempre pioneiro.
O que você sugere para a atual geração de bateristas se profissionalizar e conquistar um espaço concreto dentro do mercado musical?
A visão realista do mercado, por outro lado, para mim, pode obstruir a criatividade. Música e músicos atuais, refletem o estado de alma da humanidade a seu tempo. Acredito que mesmo com o mercado banalizado, mais por questões de ausência da noção de alma coletiva, a revolução interior seja a forma mais adequada para encarar profissionalmente o futuro. A esperança, a fé e o amor incondicional, são os elementos que para mim consistem na revolução interior, capaz de construir uma sociedade mais justa, com uma música mais harmônica em relação ao universo.








