Artistas › Alex Bessa
Tecladista, compositor e arranjador, produziu e arranjou para gravadoras Velas, Atração e Warner Continental East/West. Acompanhou vários artistas em vários segmentos da MPB dentre eles Rita Lee, Sérgio Dias, O Terço, entre outros. Compõe e produz trilhas para TV, cinema, teatro, além de seu trabalho próprio de Rock Progressivo e tributos ao Rick Wakeman e YES, o qual é discípulo juntamente com o Clube Da Esquina.
Conte um pouco sobre o seu primeiro contato com equipamentos Roland.
Meu primeiro teclado Roland foi um D-20, se não me engano, o primeiro Workstation da Roland.
Seus timbres, facilidade de síntese e programação me fizeram virar um fã da marca. Desde então, passei a usar outros teclados Roland como D-5, JV-90, EP-7, Sound Canvas e o MC-50.
Atualmente, quais são os equipamentos Roland que fazem parte do seu setup e por que você optou por estes modelos, exatamente?
Hoje uso:
*FANTOM-X8: por todos os recursos que ele me provém (timbres, polifonia, síntese, modulação da síntese em tempo real, sampler). Produzo nele gravações não só com seus timbres, mas também com o multitrack em áudio dele. Enfim, tenho um estúdio completo com ele.
*JUNO-D: com o JUNO-D, tenho 4 Kg de um excelente sintetizador, onde posso, até mesmo substituir meu Minimoog numa emergência (como já aconteceu várias vezes). Tenho nele todos os timbres necessários para qualquer trabalho e todos com qualidade excelente.
*AX-1: Nada melhor para dar mais brilho num “miss en scenne”. Fui na onda do meu mestre Rick Wakeman.
*SI-24: No meu home-studio, uso para todos meus projetos. A salvação da minha pátria na hora de mixar em surround.
*FA-101: Junto com meu laptop, é meu estúdio móvel. Faço de tudo com ele, desde gravar shows à sons naturais no Parque Ibitipoca (Parque Florestal na região de Juiz de Fora-MG), por exemplo.
Na sua opinião, qual o diferencial que estes produtos deram ao seu som?
O diferencial está na possibilidade de criar algo próprio e com nitidez. Ter a possibilidade de reproduzir os timbres de forma mais realista possível sem deixar a sensação de que tudo é eletrônico.
Atualmente, não vemos grandes tecladistas em bandas como víamos nos anos 70 e 80. Na sua opinião, é o tipo de música atual que não dá abertura para termos novos Wakemans, Emersons e Jarrets? Há algum tecladista atual que você mencionaria?
Realmente as musicas atuais não dão muito espaço para os teclados. O minimalismo da música contemporânea prejudica muito a criatividade dos novos tecladistas. As novas bandas de rock usam tecladistas para fazer bases sintéticas e estáticas para uma massa de frases de guitarras, baixos e bateria, altamente sincronizados. O tecladista hoje se encontra em terceiro ou quarto plano numa banda.
Poucas bandas absorvem o máximo dos tecladistas nas gravações e quando fazem isso, o que é raro, nos shows esse virtuosismo na grande maioria é gravado e fica no palco o músico fazendo a tal base estática. É o caso das excelentes bandas Nightwish e Épica. A estrutura das músicas estão mais simples, não explorando muitos timbres, sempre são os mesmos: Piano, Strings, Orgão e Lead Synths. Hoje, os tecladistas levam raramente no máximo 4 teclados para um show, mas isso pode ser muito graças aos produtores que querem minimizar o setup para deixar tudo mais prático, embora ainda termos hoje o YES fazendo turnê com o Rick Wakeman e seus 11 teclados e mais dois racks monstruosos de módulos. Mas isso é um caso à parte (a música pede esses recursos).
Por outro lado, bandas como Dream Teather, que é a cultuada pelos tecladistas atualmente, traz Jordan Rudess com seu virtuosismo para acordar a nova geração. Mas não podemos chamá-lo de novo tecladista, pois ele é quase contemporâneo ao Wakeman, além de ser discípulo. É uma pena, pois hoje se encontram muitos tecladistas excelentes por aí mas eles só vão poder mostrar o seu dom em bandas como Spock's Beard, Dream Teather, Porcupine Tree, Nightwish, Epica e por aí vai. Dos novos, "novos mesmo", eu diria que Tom Brislin, Ryo Okumoto, Richard Barbieri e aqui no Brasil temos André Melo ( Tempus Fugit ).
Considerações finais
Quero apenas deixar meu agradecimento pelos produtos de altíssima qualidade que a Roland sempre nos proporcionou. Alguns sempre à frente da sua época impondo tendências como foi com o D-50, JD-800 e hoje com o V-SYNTH e o VP-550. São alguns dos teclados que foram produzidos para serem usados hoje e sempre.
Ouça aqui a música produzida por Alex Bessa, usando o Juno-D e Fantom-X8:








