ArtistasDaniel Sá

Daniel_saO violonista Daniel Sá iniciou seus estudos aos 8 anos de idade, tendo as primeiras lições com o pai. Tornou-se músico profissional aos 14, substituindo um amigo que tocava em um bar à noite. Compositor e arranjador, fixou seu nome ao lado do músico Renato Borghetti, com quem trabalha há quase vinte anos. Apesar de dedicar-se aos gêneros musicais característicos de seu Estado, o Rio Grande do Sul, Sá também explora outros estilos e ritmos brasileiros, criando uma bem urdida rede de influências.

Como começou a tocar e quando se tornou músico profissional?
Comecei aos oito anos de idade. Meu pai tocava violão e me passou as primeiras lições. Depois de algum tempo, me deu o livro de harmonia do Paulinho Nogueira. Para quem, como eu, estudava de forma autodidata, aquele método era uma luz divina. Depois, mais velho, entrei na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, a UFGRS, e me formei em música, no curso de violão. Tornei-me músico profissional aos 14 anos de idade. Um dia um amigo me perguntou se eu tinha repertório suficiente para substituí-lo no bar em que ele tocava à noite. Respondi que sim e, depois disso, nunca mais parei de trabalhar com música. Tirei a carteira da OMB e, por ser menor de idade, tinha que ter licença dos pais para tocar em casas noturnas. Dei sorte de ter decidido bem cedo que queria ser músico. Nunca me imaginei fazendo outra coisa.

Como são sua carreira e o trabalho com Renato Borghetti?
Tenho um trabalho-solo que difere um pouco do que faço com o Borghetti. Além de tocar e compor dentro dos estilos gaúchos, como milongas, chacareras e chamamés, também faço sambas, bossas, choros, enfim, um repertório aberto à musicalidade deste imenso Brasil. Dou aulas há mais de vinte anos, tenho um método lançado sobre improvisação e freqüentemente sou convidado para ministrar workshops e oficinas de música. Além disso, há o lado compositor e produtor que envolve composição de trilhas, produção musical, arranjos para orquestras etc. Amo fazer qualquer coisa que envolva música, desde compor e tocar até ensinar para um aluno como funciona um pedal de guitarra (risos). No trabalho com o Borghetti, além de tocar, exerço também as funções de produtor musical e arranjador. O Pedrinho Figueiredo (sopros) e o Vitor Peixoto (piano) também são arranjadores e colaboram muito para a qualidade final do trabalho. Toco com o Borghetti há quase vinte anos e acredito que esse entrosamento acaba transparecendo no palco. Como projetos futuros, quero gravar um CD-solo com minhas composições e expandir as atividades na área da educação musical.

O violão de nylon é um dos instrumentos mais difíceis de timbrar, tanto em gravações quanto em shows. Você tem alguma dica para os violonistas?
Além de estudar e ter um bom instrumento sempre com cordas novas (risos)? Em gravações, gosto de microfones condensadores com diafragma grande, a aproximadamente um palmo de distância do instrumento, direcionado entre as casas 15 e 19. Se possível, utilizo um segundo microfone posicionado na ponte. Misturo os sons de ambos com o do captador e envio para canais separados. Essa mistura fica especialmente boa em música popular, quando se quer um pouco mais de “punch”. E as freqüências médias que o captador costuma produzir acabam dando uma soma interessante com o som do microfone. Para fazer a pré-amplificação do captador, uso o pedal AD-8 da BOSS, que é um simulador de sons de microfone para violões com piezo. Ele funciona muito bem e elimina aquele som de “pato” que o violão de nylon produz quando são usados captadores piezo. E, se os monitores de palco forem bons, se tem a impressão de que o violão realmente está microfonado! Posso salvar minhas configurações nas memórias do pedal e ter timbres diferentes para bases e solos. Além disso, ele possui um afinador que pode ser acessado a qualquer momento do show. Para quem toca violão de nylon, isso é fundamental, pois qualquer mudança de temperatura já altera a afinação. Como é muito difícil microfonar o violão ao vivo e mixar com a banda, em shows uso basicamente o AD-8 e mando o sinal diretamente para a mesa. Posso dizer que esse pedal solucionou os problemas que eu tinha com volume e timbre de violão no palco.

Além do AD-8, você utiliza mais algum equipamento BOSS ou Roland?
Uso o Jazz Chorus 120 para guitarra e um afinador TU-80, que também possui metrônomo, muito prático para dar aulas. Em minha produtora, utilizo os monitores DS-8. Acredito que é um dos poucos que possui saídas digitais óptica e coaxial. Quando trabalho em trilhas, costumo usar o controlador PCR-50 e um sintetizador de guitarra GR-30, que também é muito eficiente para guitarristas escreverem música no computador. Já tive um workstation VS 2480-CD. Fiz uma parceria com o estúdio Da Capo, do Hilton Vaccari, que toca com a gente no grupo do Borghetti, e a VS acabou ficando lá, mas ainda a utilizo muito em gravações e produções, principalmente ao vivo, pois considero o equipamento bem mais estável que um sistema de computador.

Um dos seus últimos trabalhos foi a produção musical do DVD do Renato Borghetti, Fandango. Esse projeto teve características bem peculiares, pois as gravações foram feitas na fazenda de Borghetti, em um local bem afastado de Porto Alegre. Como foi produzir e gravar esse DVD?
Foi uma aventura! Havia toda uma gama de problemas que não enfrentaríamos em um estúdio normal: barulhos de animais, o vento, as ondas do rio, e a energia elétrica instável que poderia induzir ruído nas gravações ou até mesmo queimar algum equipamento. Gravamos tudo em dois sistemas simultâneos: VS 2480-CD e outro baseado em computador, com backup em tempo real. Felizmente, correu tudo bem! Depois de vinte dias gravando e filmando na fazenda, voltamos para Porto Alegre e mixamos esse material com o Pedrinho Figueiredo, que além de tocar na banda também atua como técnico de som e fez a masterização do CD. A passagem do áudio para o DVD em 5.1 ficou a cargo do engenheiro Marcos Abreu. As filmagens ficaram lindas! Foi tudo captado em câmeras HD por uma equipe sob o comando do diretor de vídeo René Goya. Levar um estúdio para o campo não foi fácil e a Roland Brasil nos deu um apoio fundamental para que o projeto tivesse a qualidade técnica que imaginávamos. Foi disponibilizada uma série de equipamentos que nos deixaram em uma posição muito confortável em relação às condições de gravação. Lembro do dia em que o piano digital RG-7 chegou: chovia muito e foi uma operação de guerra para descarregá-lo na fazenda (risos). Além dele, utilizamos monitores DS-8, headphones RH-200 e RH-300, microfones DR-80C, interface Edirol FA-101, Jazz Chorus JC-90, D-BASS 115, BOSS GT-PRO e o simulador VG-88, com que me diverti a valer com os timbres de cítara e violão de 12 cordas. O resultado surpreendeu a todos. Ganhamos quatro troféus do Prêmio Açorianos de Música, inclusive os dois principais, de CD do ano e DVD do ano. E isso foi possível graças ao trabalho conjunto de todos! Gostaria de agradecer e parabenizar publicamente os ótimos músicos da banda, a equipe de filmagem, a equipe do áudio, os patrocinadores e os apoiadores do projeto.

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